1.- Todos o dizem: a crise está aí e sentem-na consumidores e empresários.
Os primeiros foram atrás dos assédios da banca para a concessão de crédito a bens de consumo.
Muitas famílias acreditaram ser possível satisfazer os seus compromissos financeiros, no pressuposto de aumentos salariais, na baixa da inflacção e até, na convicção de que se os bancos emprestam dinheiro é porque acreditam que os clientes o podem pagar. Educados na seriedade e no cumprimento dos contratos, não poucos “passaram as passas do algarve”. De há uns anos para cá, à hora do almoço, muitos empregados, no interior das suas novas viaturas, escondem as necessidades e os rostos nas palas do pára-brisas, enquanto matam a fome com uma sopa e umas sandes trazidas de casa.
Presentemente, todos afirmam que o ordenado baixo ou alto, já não chega para pagar as prestações, sempre crescentes, de dívidas contraídas para adquirir bens de duvidosa necessidade.
O ditado “mais olhos do que barriga” tanto se pode aplicar à banca que anunciou enormes proventos e agora se confronta com uma grande retracção e insolvência de muitos empréstimos, ou aos consumidores imprudentes que foram atrás de incontroláveis apetites.
Penalizados pelos consumidores e pela banca, estão agora muitos pequenos empresários. Os mais bem sucedidos e melhores gestores, enfrentam a crise com cautela, cientes de que podem tirar partido da situação.
Muitos dos pequenos e antigos comerciantes, em tempos semelhantes a este, demonstraram capacidade para criar novos e mais rentáveis ramos de negócio. Outros, por má gestão e por terem “mais olhos que barriga”, foram à falência e perderam ganhos de anos e anos de trabalho. Ambas as situações fazem a história económica das pequenas e grandes comunidades humanas.
Este tempo de crise, se bem aproveitado, permitirá criar novas e mais dinâmicas iniciativas empresariais em áreas do comércio e serviços ainda não existentes, que responderão a um necessário crescimento do turismo e a novas formas de vida. Muitas empresas, todavia, não resistirão por inadequação ao mercado e por má gestão. Mas essa é uma lei implacável da economia.
Um novo quadro económico e social vislumbra-se no horizonte. Há cada vez mais vozes a reclamá-lo, insistente e urgentemente. O tempo é de crise, mas a história dos homens já nos ensinou que, passada a tormenta, nada ficará como dantes.
2.- Carlos César, inicia o seu quarto mandato de Chefe do Governo dos Açores, num ambiente desconfortável social e politicamente. Socialmente, porque as pessoas sentem na pele que, afinal, o crescimento económico dos últimos anos, não teve a consistência e a durabilidade que se ambicionava. Esta situação provoca uma natural insatisfação e ataques contra os políticos que gerem as contribuições de todos nós, como melhor entendem.
O Presidente do Governo tem, por isso, de encontrar novas soluções para que empresários, trabalhadores e cidadãos em geral, possam ultrapassar dificuldades e encontrar para esta pequena Região/Arquipélago, um futuro mais promissor, alicerçado em novas oportunidades de negócios e nas qualificações profissionais dos trabalhadores. Este é um desafio que, a recente e bem sucedida aposta na formação profissional, permite encarar com uma certa tranquilidade.
Mais difícil será C.César levar de vencida a versão aprovada por unanimidade nas Assembleias Regional e da República do Estatuto Político-Administrativo dos Açores.
Percebe-se que os dirigentes do PS nacional, não pretendem, em período pré-eleitoral, uma guerra contra o conhecido anti-autonomista Cavaco Silva.
César poderá, no entanto, negociar essa “derrota” com José Sócrates, reclamando um maior intervencionismo político no continente e preparando os portugueses de lá para os benefícios da inevitável regionalização que deverá ser sujeita a novo referendo. Lucrariam os Açores pela projecção que teriam, e ganharia César pela projecção da sua figura de político de dimensão nacional, com provas dadas na governação das ilhas.
Há derrotas que revertem e sabem a vitórias, desde que os argumentos e a razão dos vencidos suplantem o nepotismo dos alegados vencedores.
E, neste caso, os Açores têm toda a razão!
José Gabriel Ávila
jornalista C.P.536
Os primeiros foram atrás dos assédios da banca para a concessão de crédito a bens de consumo.
Muitas famílias acreditaram ser possível satisfazer os seus compromissos financeiros, no pressuposto de aumentos salariais, na baixa da inflacção e até, na convicção de que se os bancos emprestam dinheiro é porque acreditam que os clientes o podem pagar. Educados na seriedade e no cumprimento dos contratos, não poucos “passaram as passas do algarve”. De há uns anos para cá, à hora do almoço, muitos empregados, no interior das suas novas viaturas, escondem as necessidades e os rostos nas palas do pára-brisas, enquanto matam a fome com uma sopa e umas sandes trazidas de casa.
Presentemente, todos afirmam que o ordenado baixo ou alto, já não chega para pagar as prestações, sempre crescentes, de dívidas contraídas para adquirir bens de duvidosa necessidade.
O ditado “mais olhos do que barriga” tanto se pode aplicar à banca que anunciou enormes proventos e agora se confronta com uma grande retracção e insolvência de muitos empréstimos, ou aos consumidores imprudentes que foram atrás de incontroláveis apetites.
Penalizados pelos consumidores e pela banca, estão agora muitos pequenos empresários. Os mais bem sucedidos e melhores gestores, enfrentam a crise com cautela, cientes de que podem tirar partido da situação.
Muitos dos pequenos e antigos comerciantes, em tempos semelhantes a este, demonstraram capacidade para criar novos e mais rentáveis ramos de negócio. Outros, por má gestão e por terem “mais olhos que barriga”, foram à falência e perderam ganhos de anos e anos de trabalho. Ambas as situações fazem a história económica das pequenas e grandes comunidades humanas.
Este tempo de crise, se bem aproveitado, permitirá criar novas e mais dinâmicas iniciativas empresariais em áreas do comércio e serviços ainda não existentes, que responderão a um necessário crescimento do turismo e a novas formas de vida. Muitas empresas, todavia, não resistirão por inadequação ao mercado e por má gestão. Mas essa é uma lei implacável da economia.
Um novo quadro económico e social vislumbra-se no horizonte. Há cada vez mais vozes a reclamá-lo, insistente e urgentemente. O tempo é de crise, mas a história dos homens já nos ensinou que, passada a tormenta, nada ficará como dantes.
2.- Carlos César, inicia o seu quarto mandato de Chefe do Governo dos Açores, num ambiente desconfortável social e politicamente. Socialmente, porque as pessoas sentem na pele que, afinal, o crescimento económico dos últimos anos, não teve a consistência e a durabilidade que se ambicionava. Esta situação provoca uma natural insatisfação e ataques contra os políticos que gerem as contribuições de todos nós, como melhor entendem.
O Presidente do Governo tem, por isso, de encontrar novas soluções para que empresários, trabalhadores e cidadãos em geral, possam ultrapassar dificuldades e encontrar para esta pequena Região/Arquipélago, um futuro mais promissor, alicerçado em novas oportunidades de negócios e nas qualificações profissionais dos trabalhadores. Este é um desafio que, a recente e bem sucedida aposta na formação profissional, permite encarar com uma certa tranquilidade.
Mais difícil será C.César levar de vencida a versão aprovada por unanimidade nas Assembleias Regional e da República do Estatuto Político-Administrativo dos Açores.
Percebe-se que os dirigentes do PS nacional, não pretendem, em período pré-eleitoral, uma guerra contra o conhecido anti-autonomista Cavaco Silva.
César poderá, no entanto, negociar essa “derrota” com José Sócrates, reclamando um maior intervencionismo político no continente e preparando os portugueses de lá para os benefícios da inevitável regionalização que deverá ser sujeita a novo referendo. Lucrariam os Açores pela projecção que teriam, e ganharia César pela projecção da sua figura de político de dimensão nacional, com provas dadas na governação das ilhas.
Há derrotas que revertem e sabem a vitórias, desde que os argumentos e a razão dos vencidos suplantem o nepotismo dos alegados vencedores.
E, neste caso, os Açores têm toda a razão!
José Gabriel Ávila
jornalista C.P.536
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